Auditorias auditadas


O ano começa com os escândalos de corrupção ainda mais latentes na mídia brasileira. Nas manchetes surgem questionamentos naturais sobre a atuação das auditorias nos processos que afloram em organizações públicas e privadas, e torna-se cada vez mais evidente a necessidade de investirem em governança corporativa e compliance que demonstrem solidez.

A conta é lógica e clara: em uma auditoria estruturada e embasada nas melhores práticas de mercado, as chances de fraudes são consideravelmente reduzidas. Mas quais mecanismos são capazes de mensurar a qualidade e eficácia destas áreas? No Brasil começa a surgir uma avaliação internacional que deve se tornar tendência, principalmente depois que o Banco

Bradesco a conquistou recentemente. Trata-se da QA – Quality Assessment (Avaliação da Qualidade), a mais importante certificação de um departamento de auditoria interna no mundo, concedido pelo The IIA – The Institute of Internal Auditors, e aplicado no país pelo IIA Brasil – Instituto Brasileiro de Auditoria Interna.

O Bradesco se une às gigantes Itaú Unibanco, Vivo, Oi e MRS Logística, companhias que alcançaram a certificação no país e que agora passam a ser ainda mais respeitadas no cenário global. É uma validação de que suas auditorias realizam um trabalho sério de prevenção a fraudes, gerenciamento de riscos e transparência.

Alcançá-la, tranquiliza o conselho, acionistas e stakeholders. Hoje é perceptível que as auditorias internas modernas transcendam o papel de fiscalizar processos e documentos contábeis. Elas são capazes de gerar valor e economias significativas para corporações privadas ou públicas.

Nos EUA, por exemplo, onde a QA é extremamente cobiçada, ela foi a responsável por elevar o nível de rating de uma empresa, o que proporcionou a obtenção de até 0,3% de redução em tomadas de empréstimos, gerando economia de milhões. São benefícios mensuráveis que aumentam a credibilidade junto a órgãos reguladores e ao mercado.

No Brasil a Lei Anticorrupção passou a exigir maior nível de controle das organizações. As pesadas punições podem comprometer a saúde financeira daqueles que cometerem ou estiverem coniventes com atos ilícitos.

O caminho para construir uma auditoria interna eficaz é árduo, mas factível. Para conquistar a QA a empresa deve estar em linha com as 80 normas previstas no IPPF – sigla em inglês para Estrutura Internacional de Práticas Profissionais, espécie de ‘Manual obrigatório’ do auditor. O complexo documento é fruto da avaliação de líderes de auditoria que compõem a direção do The IIA. Em tese, uma vez bem estruturada, os riscos de surgirem gaps nos processos, serão significativamente minimizados.

O momento é de amadurecimento das auditorias e dos órgãos de controle do país no tocante ao combate à corrupção, mas há muito para evoluir. Gestores estão conscientes de que ambientes corporativos inseguros trazem prejuízos gigantescos à nação.

A QA, por sua complexidade e reputação internacional, se tornará valiosa ferramenta de fortalecimento da governança de organizações. O Brasil precisa entrar, de vez, na era da transparência e adotar a filosofia de investir em solidez e em qualidade da gestão, fatores que estão no DNA das almejadas competitividade e idoneidade.

Por: André Marini
Presidente da diretoria executiva do IIA Brasil.

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